E logo, abaixando-se, apanhou um pão. Julgando que ele estivesse
com fome, disse-lhe amável e sinceramente:
"Podemos partilhar esta frugal refeição. Há pão
suficiente para nós ambos... e para a cabra-guia".
Fiquei, porém, quase paralizado de assombro a vê-lo atirar
às cabras o primeiro pão, o segundo e o terceiro... todos,
até o sétimo, tirando, de cada um, um bocado para si. O choque
que recebi foi de tal ordem que a ira começou a ferver-me no coração.
No entanto, compreendendo a minha incapacidade, consegui aquietar um pouco
a cólera e, com uma expressão de espanto, voltei-me para
o pastor de cabras dizendo, como quem ao mesmo tempo suplica e censura:
"Agora que acabaste de dar às tuas cabras o pão de um homem
faminto não lhe vais dar um pouco de leite?"
"O leite de minhas cabras é veneno para os tolos e não quero
que nenhuma delas seja culpada da morte de alguém, nem mesmo de
um tolo".
"Mas por que sou tolo?"
"Porque trazes sete pães para uma viagem que dura sete vidas."
"Deveria então ter trazido sete mil?"
"Nem um só."
"O que aconselhas, então, é encetar essa longa viagem inteiramente
sem provisões?"
"O caminho que não oferece provisões ao vianjante não
merece a confiança deste."
"Desejarias então que eu comesse pedras e bebesse o meu suor?"
"A tua própria carne te bastará como pão, e o teu
próprio sangue te bastará como água. É esta
a solução."
"Levas muito longe o teu escárneo. Não posso, porém,
retribuÃ-lo. Aquele que come do meu pão torna-se meu irmão,
ainda que me deixe faminto. O dia está fugindo por trás da
montanha e preciso recomeçar a minha marcha. Queres informar-me
se ainda estou muito longe do cume?"
"Estás muito perto do Esquecimento."
E assim dizendo, colocou a flauta nos lábios e saiu marchando ao
som de agrestes notas que pareciam um lamento dos mundos inferiores. A
cabra-guia o seguiu e, após esta, tôdas as outras. Durante
muito tempo ainda pude ouvir o ruÃdo das rochas pisadas e o balir
das cabras, de mistura com os lamentos da flauta..."
Mikhail
Maimy
***
01. Rose of Heaven
02. Bird of Paradise
03. Stargazer
04. River of Life
05. Passion Flower
06. Garden of Delight
07. Lily of the Valley
08. Tree of Life
09. Jasmine
10. Night Blooms
11. Queen of the Night
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16:25
01 a 06 Viajando pelo Brasil - SuÃte I para cordas
07 Concertino para flauta block sobre "Sinh'aninha"
08 Boi Barroso
09 Sai, Bicho Papão
10 Concertino para contrabaixo sobre "Atirei um pau no gato"
11 Cai Chuva
12 Na Bahia Tem
13 Nesta Rua
14 Margarida
15 A Canoa Virou
16 Capelinha de Melão
17 Oh Ciranda, Cirandinha
18 Marcha Soldado
19 Samba Lelê
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09:41
Clément Janequin (c.1485-1558)
1. Le chant des oyseaulx
2. Toutes les nuictz
3. J'atens le temps
4. Il estoit une fillette
5. Las on peult juger
5.1. Chanson de Janequin
5.2. Transcription pour luth de Guillaume Morlaye
6. Ung jour Colin
7. O doulx regard, o parler
8. Le chant de l'alouette
9. Quand contremont verras
10. Hellas mon Dieu ton ire
11. Ma peine n'est pas grande
12. O mal d'aymer
13. Herbes et fleurs
14. L'aveuglé Dieu (A. de Rippe d'après Janequin)
15. A ce joly moys de May
16. Assouvy suis
17. Quelqu'un me disoit l'aultre jour
18. M'y levay par ung matin
19. M'Amye a eu de Dieu
20. Le chant du rossignol
Ensemble Clément Janequin:
Dominique Visse, countertenor)
Michel Laplénie, tenor
Philippe Cantor, baritone
Antoine Sicot, bass
Claude Debôves, lute
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04:30